Negócio Minimalista: a busca pelo suficiente
O conceito de menos é mais aplicado ao empreendedorismo a fim de desenvolver negócios que sustentam um estilo de vida de mais prazer e liberdade.
Logo que ouvi falar sobre empreendedorismo, quando entrei na faculdade de publicidade, minha noção de empreendedores de sucesso era a de palestrantes mega articulados, com currículos invejáveis, na lista da Forbes 30 under 30, tornando suas startups mundialmente conhecidas. Já sonhei em estar nessa posição um dia. 
 
Anos depois, fui trabalhar com empreendedorismo social no Sudeste Asiático e percebi que nem todos os líderes que eu admirava seguiam esse padrão. Na verdade, a maioria deles ia por um caminho oposto: carreiras sólidas mas modestas, reconhecidas no seu nicho de atuação, com negócios pequenos mas cheios de propósito, e o principal – eles aproveitavam a vida e se orgulhavam disso. Eram profissionais que conseguiam equilibrar os pratos de família, amigos, trabalho, sustentabilidade, bem estar…  E aquilo sim me enchia os olhos. 
Quando você não se encaixa no mainstream  
Ao começar a ler sobre empreendedorismo, me deparei com os livros mais famosos que falam sobre como enriquecer rápido, crescimento exponencial ou mentes milionárias – que não me conquistavam. Se esse é o empreendedorismo que você busca, não me leve a mal, mas talvez meu conteúdo seja insignificante para você. Também não era muito seduzida por aqueles que falavam de férias eternas, ou jornadas reduzidíssimas de trabalho (apesar de ter gostado de vários insights do livro de título duvidoso Trabalhe 4 horas por semana).
 
Diante da minha não identificação com os conteúdos mais mainstream sobre negócios, comecei a buscar outras referências e novos líderes, que se assemelhavam mais com o estilo de trabalho e de vida daqueles profissionais que conheci morando em Bangkok. Para minha feliz surpresa, me vi em diversos livros, palestras e modelos de negócios. É claro que já tinha muita gente incrível fazendo e falando sobre o que eu, posteriormente, me dei licença poética para chamar de Negócio Minimalista
Encontrando o equilíbrio
Para mim, é essencial que meu negócio reflita meus propósitos de vida, e que meu estilo de vida ideal seja potencializado pelo meu negócio. Tão importante quanto falar de projeções financeiras e métodos lean é me aprofundar em desejos da alma, responsabilidade social, vulnerabilidades e medos, ou que faz eu me sentir inteira. Por isso, com um Negócio Minimalista, busco constantemente equilibrar minha visão de sucesso profissional com a vida que quero levar e que quero levar para o mundo.
 
O que compartilho aqui é meu processo. Erros e acertos, técnicas que funcionaram bem e outras nem tanto. Apesar de ter me inspirado e aprendido com diversas teorias e pesquisas, como eu absorvo e repasso tudo isso é só minha percepção – sem dados ou certezas, mas baseada na minha experiência individual.
 
Reforçando que o termo Negócio Minimalista já foi utilizado em alguns textos mas não há um conceito oficial. Portanto, essa é meu experimento. 😉
Afinal, o que é um Negócio Minimalista para mim?
A chave do Negócio Minimalista é buscar o que é suficiente. Ao invés de mirar o infinito, seu alvo é o suficiente para que você leve o estilo de vida que deseja e acredita.
 
Crescemos ouvindo que quanto maior, melhor. O que nos fará feliz é supostamente mais dinheiro na conta, uma casa maior, o carro do ano, o maior prêmio, mais seguidores, uma empresa em crescimento, mais colaboradores… Isso é sucesso. Mas e tudo que amamos e abrimos mão para chegar lá? E toda a responsabilidade que o crescimento acarreta? O que desenvolvemos para nós mesmos enquanto construímos nosso caminho ao topo? Qual pegada deixamos no mundo? O que somos é o mesmo que o que temos?
Desacelerar não é se acomodar
Não confunda suficiente com comodismoBuscar o suficiente não é o mesmo que não ter ambições. Você pode ter uma vida completamente abundante enquanto faz escolhas alinhadas com seus princípios e valores. Sua empresa não necessariamente precisa ser maior, mas ela sempre pode ser melhor. Ela não precisa ter mais clientes, mas pode ser mais rentável. Seus seguidores não precisam duplicar, mas você pode ter mais engajamento com os que já tem.
 
Pode parecer que a busca pelo suficiente te acomoda, mas na verdade ela te liberta. Ter o suficiente te liberta de pressões sociais, pois você está em paz e não precisa se provar o tempo todo. Te liberta de pressões internas, pois você se conhece e sabe o que seu coração quer. Te liberta de uma rotina imposta, pois lhe permite desenhar sua própria agenda. 
Essa não é uma fórmula mágica para felicidade e sucesso
Pode parecer fácil, mas um Negócio Minimalista exige muita consciência e autoconhecimento. Precisamos saber o que é suficiente para nós e isso é totalmente pessoal e único. O suficiente para uma empresária com 2 filhos morando em Nova York é diferente do suficiente para um solteiro sem filhos morando no interior, que é diferente de uma família de 8 pessoas vivendo na periferia de uma grande cidade, em todas as esferas: necessidades emocionais, estruturais e financeiras.
 
Pode parecer rápido, mas alcançar o suficiente requer dedicação. Não começamos com o suficiente, então mesmo que não estejamos mirando o infinito, ainda temos um caminho para percorrer até chegar lá, e o início pode ser árduo. O suficiente também pode se transformar ao longo da vida, conforme mudamos de cidade, crescemos nossa família, enfrentamos desafios ou sonhamos novos sonhos. Então não se iluda: o suficiente não vem do dia para a noite e essa não é uma fórmula mágica para a felicidade e o sucesso em um piscar de olhos.
Na prática, como um Negócio Minimalista atua?
Um Negócio Minimalista pode vender qualquer produto ou oferecer qualquer serviço. O que o torna minimalista não é o que oferecemos para nossos clientes, mas como estruturamos e gerenciamos esse negócio. Geralmente ele é composto por uma ou poucas pessoas; sua estrutura de custos é enxuta e sua rentabilidade é alta; são reduzidas as opções de produtos ou serviços oferecidos; demandas extras são terceirizadas; ele se desenvolve muito mais de forma orgânica do que sob grandes investimentos; é menos influenciado por altos e baixos da economia mundial; seus processos são otimizados; ele é alinhado com seus valores e parte da premissa de que tudo está conectado.
 
Esse negócio pode ser uma loja online, uma agência de conteúdo, um restaurante ou mesmo o empreendimento de um trabalhador autônomo, como um designer ou programador. Como foi dito, o que importa não é o que você oferece, mas como você gerencia o que oferece.
 
Apesar de não haver fórmulas e eu mesma ainda estar no caminho do meu suficiente, já tenho alguns aprendizados do processo:
  • Antes de mais nada, compreender o que desejamos. Não porque o outro tem, porque a vida daquele lá parece maravilhosa, mas porque nesse momento é isso que realmente queremos e precisamos. Entenda o que realmente te nutre e o que abundância significa para você.
  • Desapegar da comparação constante. Eventualmente acabamos nos comparando com outros profissionais, principalmente pessoas da nossa idade ou mais jovens que vemos como bem sucedidas. A gente precisa focar no nosso próprio processo! E se for para darmos atenção para caminhos alheios, que seja para nos inspirarmos, não para nos diminuirmos.
  • Aprender a lidar (ou ignorar) o julgamento. Nessa busca por um trabalho que possibilite um estilo de vida de mais bem estar, mesmo pessoas próximas vão dizer pejorativamente que você é um “bon vivant”, que busca uma utopia ou que não trabalha duro como eles. De novo, foquemos no nosso próprio processo.
  • Saber dizer não. Quanto melhor nos tornamos naquilo que fazemos, mais reconhecidos somos. O reconhecimento traz novas oportunidades; saber dizer não para aquelas que não estão alinhadas com nossos propósitos e focar no que realmente importa é uma habilidade essencial.
  • Reconhecer a interdependência. Tudo está conectado. Como lidamos com cada detalhe do nosso negócio impacta todos os seres envolvidos em nossa cadeia de valor. Precisamos agir com intenção e compreender nossas responsabilidades.
  • Um Negócio Minimalista exige menos investimento inicial que um negócio tradicional. A ideia é começar com suas reservas financeiras e ir se desenvolvendo aos poucos, organicamente, sem booms de investimento externo.
  • Se você se interessou pelo tema mas não faz ideia do modelo de negócio que pode começar, vá pensando em como unir coisas que sabe e gosta de fazer com coisas que as pessoas e o mundo precisam. Um empreendedor bem sucedido enxerga demandas implícita, e um negócio consistente atende essas necessidades e desejos.
 
Nos próximos textos vou discorrer sobre vários dos temas que pincelo aqui. Isso é parte da minha compreensão pessoal sobre o processo de empreender, além de uma tentativa de propagar conceitos que tornaram minha rotina mais leve, minha mente mais calma e minha vida mais prazerosa.
 
Por ora, se chegou até o final, espero que dessas 1.200 palavras, ao menos uma tenha ressoado em você.

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A busca pelo suficiente.

Um negócio minimalista visa o suficiente para proporcionar o estilo de vida que sua equipe deseja. Esse é o caso da estruturação da BemTeVi.

Se você acredita que tão importante quanto ter um negócio rentável é garantir sua liberdade e equilíbrio, o negócio minimalista pode fazer sentido para você.